Sinto-lhe escapar de todas as armadilhas que eu, minuciosamente, montei para capturá-lo e isso, acidamente e assiduamente, corrói as beiras da minha esperança, que de tão longínqua e inatingível torna-se poeira cósmica. Opto, então, por apelar e peço-lhe: – Não olhe para o lado, me responda. Não seja tão tranquilo e compreensivo, reaja! Abandone toda essa inércia. Grite comigo, ao menos desta vez. Faça-me sorrir, ou chorar, não importa. Ofereça-me os seus sentimentos e desperte os meus. Conquiste o meu amor, ou ative o meu ódio! Tire-me, mesmo que contra a sua vontade, desse nada, desse imenso vazio! Permita-se conhecer, deslocar-se, transformar-se, por mais que isso pareça ser ameaçador. Ainda não sei de qual fantasma você se esconde, então, me responda ao menos isso: Permanecerá estacionado para sempre em seus medos e fraquezas? Nada o comove, o alegra, o entristece, tens sido a apatia em pessoa. Confesso que há tempos eu não vejo luz em meus dias, e isso precisa ser mudado... Até quando, então, me deixará sem o seu largo e belo sorriso? Eu adoraria sentir novamente os raios de sol em minha pele.
sábado, outubro 16, 2010
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Velhos Outonos
sexta-feira, outubro 08, 2010
яomA.
“E hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Não sei onde ela está”
(Legião Urbana)
Todas as noites, nos três primeiros segundos em que o manto negro e estrelado encobria o céu, a mesma pane se repetia: os batimentos cardíacos do jovem rapaz eram interrompidos por um motivo totalmente desconhecido e aterrorizante. Ele desejava ardentemente que o seu surrado coração voltasse a bombear o seu sangue. Assim, também, ele esperava que ela tornasse à sua vida, e trouxesse consigo, em uma caixa, sacola ou no próprio bolso, a felicidade que lhe furtara, inconscientemente, pouco antes de partir. Suscitar-lho a vida seria muitíssimo fácil para ela, e a jovem faria isso majestosamente, como já o fez em um passado remoto, do qual ela tentara se livrar. Porém, mesmo queimando as fotografias em preto e branco, as quais alimentavam a lareira de sua clássica sala, ainda assim, a mente dela permanecera submersa em lembranças boas, que lhe traziam saudade e lhe tiravam a saúde.
– E então, até quando? – a bela moça sempre se perguntara de frente para o espelho – Até quando a responsabilidade de torná-lo feliz, e vivo, estará sob o meu cetro, e vice e versa? E ela realmente aguardava ansiosa, por uma resposta que viesse de seu interlocutor mudo, mas aquela era uma pergunta retórica, e ela sabia que seria sempre assim, que só a sua presença e sorriso poderiam consertar a eventual pane. Ela, portanto, resolveu levantar-se e deliberadamente optou por salvá-lo novamente, pois somente assim ela salvaria o seu próprio, e surrado, coração.
As vezes, nós pensamos estar fazendo algo muito bom para os outros, mas não notamos o grande bem que isso pode causar a nós mesmos. Quando eu comecei a escrever esse texto, a partir de uma frase que minha mãe disse em certa ocasião, há um mês, eu pensei que esse texto tomaria um rumo diferente, e na verdade já tinha tudo planejado na cabeça, mas o foco mudou, e muito! Enfim, esse é um texto especial demais para mim, e gostei da história ter mudado o rumo que eu imaginara anteriormente. Mil beijos. C=
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