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quarta-feira, janeiro 28, 2015

sorriu e propôs



     O verão já se foi, o sol já se pôs e pus-me também. Pus-me a esperar pelo abraço que não veio e pelo adeus que eu não ouvi. Aguardo que o telefone toque, que sua voz falhe e se cale vez ou outra; imitando as vezes em que só eu digo, repito e meço sem êxito o tamanho da minha saudade; inventando uma maneira petulante de medi-la, buscando um modo de convencer-te com palavras vãs de que eu a sinto e de que é imensa.

      Pense, por um minuto sequer, em todas as verdades que eu dissera em tempo recorde. Ponha na balança essa nossa dança de sorriso e sarcasmo e abraço – nunca amasso. Pese o que construímos, admita que não é leve e nem é breve, jamais será. Confesse que a única coisa leve é o seu humor ao me ver sorrir. Então permitir-me-ei ser frágil, livrar-me-ei da minha armadura sem dó ou amargura se isso o satisfizer.

      Só não se ausente, chegue de pressa ou de repente. Apenas não minta e nem demore. Se diz ser recíproco, chegue agora. Faço questão de roubar-te o papel, ser a irônica por instantes e não admitir com veemência o indiscutível: não admitirei de forma alguma; não admitirei ter que esperar-te até o próximo verão, por isso proponho que sejas presente. Hoje e sempre.


Gostaria de esclarecer dois pontos: escrevi esse texto há um bom tempo; e acho que eu e o violetas estamos de volta à parte daquele tempo bom de escrever sobre a vida. 

quinta-feira, dezembro 05, 2013

O riso e a moça


   Rasga a face de leste a oeste. Começa com um simples derrear suave dos lábios e termina no mais esplendoroso mostrar de dentes. Todos tão alinhados, brancos e perfeitos, sendo dignos de furtar aplausos dos mais exigentes dentistas. Estampa natural da alegria. Sinal que indica se a vida vai bem ou mal; às vezes confunde-se e reluz mesmo diante as tempestades do dia, menos faceiro, mas ainda assim seguro de que não perdera o encanto de iluminar.

   Digníssimo também de causar inveja a qualquer folião efusivo, pois o riso sincero não faz distinções e enfeita até mesmo a face dos mais austeros. Não exige confete ou pandeiros, tampouco multidões. É humilde e se abriga igualmente nos tímidos. Mas caso haja platéia, esta será bem vinda: o tamanho expandir-se-á e o som tornar-se-á estridente; retorcerá o rosto em felicidade e comprimirá a barriga sem piedade. Pedirá atenção, assumindo o papel principal e mostrará a que viera. Dominará a quem viera até findar-se e dizer não, porque não é sempre que ele aceita transformar-se em gargalhada.

  Arrumará as malas, tomará por posse o chapéu e pegará a estrada rumo ao próximo olhar – afinal, antes dos lábios, ri-se com os olhos. Avistará o folião em uma esquina qualquer da vida e acenará, preparando-se para a próxima cena; para os próximos olhares, dentes, lábios e álibis. No entanto retornará com frequência ao rosto da bela que o conquistara.

   Se passível fosse escolher entre o sorrir ou o amar, ela não titubearia. Nascera para sorrir e o riso fizera-se curva de boca só para amá-la. Entre todos os semblantes era o dela que ele preferia abrilhantar. Sendo capaz de abandonar na avenida um folião sem a graça dos lábios, sem o sorriso leviano, só para enfeitá-la sem remorso. Mostrando os dentes perfeitos de minuto e minuto, sendo-os.

   Ela existira somente para sorri-lo e o riso para adorá-la. E assim o mais perene e primoroso casal fora formado: o riso e a moça, a moça que jamais sorrira pequeno.   


Nota: Quem é vivo sempre aparece e escreve e ama e sorri. Acho que estou de volta. Grande beijo.

sábado, julho 28, 2012

Eu quis a pedra que tinha no caminho.


  Passara-me e repassara-me. Ultrapassara-me. Talvez a culpa seja minha, afinal, eu me arriscara deliberadamente em parar no tempo. Baixara guarda e dispensara a honrosa e fiel cavalaria. Desfizera-me da armadura e com ela fora o meu ego narcisista; melhor assim, eu concluíra que aprender autodefesa também é importante. E o meu melhor ataque contra a pressa do tempo não fora a defesa, como o clichê sugerira, mas sim agregar ao meu jogo a pedra do adversário – eu imaginara que o xadrez da vida ficaria mais interessante dessa forma, e ficou.

  Eu gracejara com os ponteiros, retardara os segundos e derreara os lábios ao notar que o tempo ainda assim insistira em desdenhar-me – ele não quer comprar, nunca quis – e fizera questão de lançar na minha vasta estrada mais uma de suas volumosas pedras. Mas ao contrário do habitual, eu não almejara o caminho; era justamente o pedregulho que eu desejara.

  Uma peça a mais no tabuleiro o tempo me dera, e deu-me essa pedra de ingênuo que foi. Arrastei-a até um local de sombra, recostei-me nela e tomei meu livro. Pus-me a rir baixinho enquanto lia, achei graça desse tempo ligeiro que me passa, repassa e ultrapassa, mas que nunca vive. Eu sim, eu vivo: caminho, mas descanso quando necessário, ou apenas diminuo o ritmo da caminhada – sem me culpar – já ele não. É escravo de uma ampulheta qualquer, ou sempre se põe a tiquetaquear sem destino.  Some no vento, é um eterno intangível. Coitado do tempo, pensa que vive e jura ser juíz. 

  Coitado do tempo. Eu sim, eu vivo; com ou sem pedra no caminho.          

Bem, espero que vocês tenham gostado do texto. Foi uma breve homenagem ao Carlos Drummond e sua famosa "pedra no caminho" e, além disso, uma pequena releitura com um ponto de vista diferente sobre o tema 'as pedras que surgem em nossa vida'. Eu quis a pedra, recusei o caminho, risos. Afinal, no xadrez, é vantagem ter mais pedras (peças) do que o adversário. Bom fim de semana para todos! Fiquem com Deus.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

É fel, é mel.



Insosso é sabor da saudade
Que, em pingos cálidos, é destilada.
O gosto de uma lágrima ninguém esquece   
Pois da porta da alma fora despejada.

Veneno inodoro e incolor
Transborda o gosto do rancor
Mas torna-se antídoto se for liberta
E em seu doce faz-se perpétua.

E quando o amor preenche o vazio
É pela têmpora que dança o mel,
O olhar topázio torna-se um rio
E do coração esvai-se o fel.

Onde há trevas, faz-se amarga;
Mareja a vida e inunda o rosto.
Mas se a há fulgor, é açucarada;
Ultraja a dor e o seu desgosto.


quinta-feira, julho 07, 2011

Sem.

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Após o sussurrado adeus,
Estarei sem carinhos seus;            
Congelarei em vão
Ao imergir na dor do não.

Como um rio sem nascente;
Tornar-me-ei sol sem meu poente.
Serei céu sem o alaranjar;
Desaguarei triste sem um mar.

Lamentarei o fim,
Mas guardar-te-ei em mim.

Aguardarei quem não virá,
Na espera que não findará;
Viverei os tons de inverno,
Vislumbrando um frio eterno.

Com os olhos a embaçar,
Cálidas lágrimas a derramar;
Ao ver partir o doce amor,
Eu serei morta e seca flor.

Guardar-te-ei em mim,
Mas lamentarei o fim.   
Pauta para o projeto bloínques - edição poemas.

Olá pessoal! Parece inacreditável, mas sim, eu estou de volta. Ao menos é o que parece. Estava super atarefada no colégio, estava saindo de casa às 6:00 horas (na verdade ainda estou) e voltando às 19:00 horas todos os dias, e o cansaço estava me matando. Torno a pedir desculpas por tanto tempo sem apreciá-los devidamente em seus blogs, embora os tenha acompanhado de longe. Mas, vida de eletrônica não é fácil. :/
No entanto, agradeço imensamente quem, ainda assim, tem paciência comigo e não me abandona. Grande abraço a todos! Amo cada palavra que vocês escrevem, e ler os vossos blogs é um presente. Prometo que tentarei diminuir os intervalos entre as postagens. Fiquem com Deus!                          

quarta-feira, maio 18, 2011

À dança velar.

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Põe-se o sol a dançar, ao se esconder;
Sorri o pretume, ao vestir o salão;
Porém, risca o chão como fogo a arder,
Com vela nas mãos, os pés da emoção.

Baila o vento, faz a chama tremer;
Chora a menina sem se derreter;
Lamenta a falta até mesmo do não,
Na melodia do seu coração.

Crepita sem ritmo a dor da ferida;
Engole a mudez o som ao nascer;
Esquece o compasso a cera aquecida.

Sem par, recusa a saudade abraçar;
Pranteia a menina junto à canção;
A vela com ela, a dança velar.
Pauta para o projeto Bloínques, 39ª edição poemas.

 
 Bem, confesso que me sinto constrangida e tristonha por estar sendo obrigada a ficar longe daqui. Não tenho muito que dizer na verdade, e talvez também não queira, quero apenas sentir. Eu quero também pedir-lhes eternas desculpas por estar tão distante de vocês; Mas, nos meus dias, têm faltado horas até mesmo para Carol, para ficar com minha família... Tenho acordado as 5:00 e chegado em casa as 19:00. Sinto saudades de vossos textos, e isso tem me deixado em abstinência; Não vejo a hora de recuperar tanto tempo perdido, tanto sono mal-dormido... No entanto, agradeço imensamente aqueles que não me abandonaram apesar dos pesares. Agradeço a todos de coração mesmo, mas, principalmente ao Pedro pelo grande carinho. Grande beijo, de quem nunca vos esquece.
* Ah, meu aniversário foi dia 5 de maio, é, agora eu tenho dezessete anos, e o do blog está chegando (21/05).

segunda-feira, março 21, 2011

A(r)mar.


   Na arena, olhos febris enfeitam a face de cada espectador veemente, enquanto, a ansiedade materializa-se no suor cintilante que desfila sobre as suas têmporas. O gladiador veste-se de glória e dirige-se impávido ao seu próximo combate; Tornar-se-ia lendário após tamanha façanha. 

  Os gritos e murmúrios abafam uns aos outros, sobrepõem-se altivos, e o bafo quente da multidão adere-se à atmosfera. Os trajes simplórios revelam o quanto a força física é almejada com vigor, ao passo que a preocupação com a estética faz-se obsoleta.
  
  As exclamações duplicam-se e o rubro tinge os olhos do povo alvoroçado, o qual deseja que tal sangue despeça-se de seus olhares e transformem-se no reflexo fiel e luzente da arena em vermelho, decorada pela sádica morte de um dos guerreiros.

  O primeiro pé do gladiador estende-se audaz sobre o chão amarelado de terra batida; A armadura inexorável de tal combatente, intrépido, reluz a sua fúria. No entanto, os seus dedos prendem-se rudemente a uma espada – tão bela, eu diria, se essa não contribuísse para a execução de tantas mortandades. Porém, o escudo na canhestra delata que mesmo o mais colosso dos gladiadores, sedento por vitória, rende-se aos caprichos da fragilidade humana e amiga-se de uma proteção – ainda que metálica.

  O combatente voraz, tão humano, já vencera a esperança e a felicidade, portando-se das piores artimanhas; Restou-lhe como vítima o amor, combatente forçado que hoje enfrentará. O oponente do lutador, portanto, o amedrontado, é atirado por outros brutos na arena para a batalha final – primeira e última. 

  O público se cala e logo em seguida vai ao delírio; O espetáculo iniciar-se-á. 

 O gladiador avança resoluto, mas todos os seus golpes, de traços tão firmes, pintam-se errôneos diante da tela em branco e do artista. O outro se põe de pé valente, olha-o nos olhos e sopra poucas palavras: Não te basta armar, mas sim amar; E retira-se soberano a passos lentos. E o que até outrora era intrépido, impávido, colossal, jaze parvo com os lábios a beijar o solo seco – O público vê-se tão embasbacado e lânguido quanto o próprio derrotado.

  O gladiador tem as suas pesadas armas, porém o poeta tem a mais poderosa: A palavra; E este senhor de mãos calejadas de tanto escrever é o amor, o mesmo amor que se permite falar de si próprio através de dedos tão humanos, inofensivos.

  Na verdade, eu tenho essa ideia de equiparar o ser humano a um gladiador que se deixa domar pelos sentimentos - todos tão abstratos - há tempos. Porém, as palavras tiraram-me da trilha que eu planejara e fizeram-se minhas guias. Espero que ainda assim vocês tenham gostado. Peço-lhes desculpas quanto a minha ausência em vossos blogs; É que eu tenho estudado demais, dormido de menos e entrado pouco na internet. Mas saiba que não os abandonarei. Agradeço ao carinho e sinceridade nos comentários. Grande beijo a todos.  

terça-feira, março 15, 2011

Sem fel.


É dor latente e persistente, a que em mim se abrigou;
Resplandece o seu fulgor no peito de quem a abandonou.
Desfila presunçosa o seu peso - o imensurável.
Destila gota a gota do veneno - o indesejável.

O arquejar faz doer os pulmões e castiga o ar;
Induz-me a expirar, inspirar e a ti o singelo perdão doar.
Perdoar-te e perdoar-me irei, então, mas não em vão.

O achoalho frígido e liso me sorri silencioso,
Os joelhos latejam ansiosos em resposta
E o beijo compõe-se intenso entre a pele e o piso.
O cálido experimenta o frio, aos risos;
Assim como eu opto por derreter todo o meu gelo.

Os punhos despedem-se do bolso
E a luz se expõe por entre os dedos.
As impressões digitais disputam espaço com a flor;
Visto-me, pois, de amor e rasgo o véu do rancor.

Os pés enfeitam a terra, mas o pensamento é do céu;
Limpo os meus lábios e ao longe lanço o fel.
A maciez da bela rosa repousa, enfim, sobre as suas mãos,
Enquanto, um suspiro leve inflama o meu coração;
A voz tão angelical quanto o pedido sussurra por fim:
Perdão concedido? Sempre e sim. 

Projeto blq,30ª Edição poemas.

domingo, fevereiro 27, 2011

InflAmável.


  Somente duas linhas da longa história foram transliteradas em paralelo. Temo que uma possa ser a prolongação silenciosa da outra, e que outras continuações se derramem na mesma página fadigada. A umidade rege ambas, assim como, o calor e a dor latente que intensifica as marcas que abrasam o percurso estreito – caminho conhecidíssimo pelos dedos delgados que interrompem frases, entrecortando-as. Porém, as palavras não ditas se renovam como a fênix e atropelam fulgurantes, gradativamente, as mãos efusivas que tentam impedi-las de transbordar de olhar topázio tão mórbido.

  A página ímpar, a qual se deixa banhar pelas gotículas gélidas e incessantes, dança solta e solitária ao ritmo do som longínquo de antigas quedas – inoxidáveis nãos. E ostenta infeliz as amolgaduras que tantos leitores desleixados a causaram. Não fora o rancor ou sentimentos internos que tingiram de tristeza-incolor rosto belo de traços finos; Mas, sim, a estrangeira que invadiu o diminuto peito, de respiração arfada e ingenuidade evidente; E quando partiu, o fez duplamente. Abandonou-o sorrindo e acenou satisfeita na última curva, enquanto as lágrimas dele também percorriam a ínfima curva de suas têmporas, e o seu coração partia-se em montes de entulho muscular.

  A face embranquecera-se, mas novas linhas foram escritas, e o registro feito em caligrafia universal inflama a trilha que estrema. Algumas faíscas se fazem presente e o calor se expande efusivo por todo o corpo, pelo quase-livro, como fogo e gasolina. Reacende timidamente a esperança adormecida e, então, tornam-se aparentes as labaredas impetuosas que fazem o caminho contrário; Anunciam a todos os órgãos o retorno vivaz da fé.  A história torna a ser reescrita, ao passo que a chama vivaz devolve as lágrimas aos olhos, ascendendo uma a uma. No entanto, ele permite que elas tornem a redesenhar a estrada que elas próprias instituíram em pele tão macia; Mas dessa vez, os dois traços lacrimais não contam a dor, eles fazem arder os olhos de expectativas e cintilar na umidade o fulgor do amor próprio.


  Bem, eu comecei esse texto hoje mais cedo e o início dele aconteceu como um suspiro intenso, mas a continuação destilou-se obstinada, por isso, passei a tarde encarando-o. Enfim, aqui está. Amanhã o meu blog completa um ano de existência, mas não de vida; Pois os textos literários só puseram-se a pulsar aqui em maio de 2010 e por isso tenho essa data como a oficial. Ontem o meu computador deu pane e só voltou hoje (ainda bem que voltou), por pouco ele não nos afasta. Agradeço o carinho de todos, espero que tanham gostado. Grande beijo!