sexta-feira, agosto 06, 2010

I. TemporárioTemporalTemperamental.


  
     Há momentos da vida que sofreremos perdas providenciadas pelo tempo, o qual age sem nos perguntar se aceitamos ou não as suas interferências. Eu assumo, então, o meu fracasso: não consegui escapar de tal inconveniente, fui atacada ferozmente por essa fera. Naquele momento, o tempo não soube a hora de interromper-se, e manteve-se  estranhamente sádico e incontrolável. Conheci, então, uma de suas facetas, que não me foi agradável.  Já em outras ocasiões o tempo contrariou-se, sendo amigável e ajudando-me (ou obrigando-me) a esquecer momentos indesejados.
   Entre os vestígios das lembranças deixados pelo tempo, está a única gota, incolor e persistente, que conseguiu encontrar o chão; Tocou o solo frio enquanto a folha de papel se tornava uma esfera amassada em minhas mãos. Admito, que por mais que eu tentasse sufocar aquelas pequenas gotículas gélidas era impossível. Elas eram ligeiras e contínuas, e venciam, uma a uma, minhas mãos que tentavam, sem sucesso, secá-las em meu rosto.

Mil beijos, Carol. 

quarta-feira, agosto 04, 2010

II. Que a sorte me guie até você.

  
   Assim que os pés da menina alcançaram o chão ela alinhou o corpo, enquanto limpava suas mãos em seu simples vestido branco. Ela o encontrou sentado mais a frente, lia um ótimo livro, pelo menos era isso que seus olhos fixos nas páginas amareladas pelo tempo transpareciam. Não se sabe se aquele era um livro de romance ou suspense. Por vezes, o nosso leitor franzia a testa, mordia os lábios, sorria. Parecia ter vontade de entrar no livro, mergulhar naquela velha história. A menina deixou alguns devaneios para trás, aproximou-se e se sentou ao lado do menino. Ao percebê-la seria comum que ele desejasse saber o seu nome, mas talvez ele fosse mesmo imprevisível. Em silêncio, ele fitou a menina nos olhos, não a conhecia, porém a “reconheceu”. Ela, por sua vez, recostou a cabeça em seu ombro e ambos, ainda em silêncio, retomaram a leitura.


 Eu escrevi esse post como a continuação do anterior e o termino com um "não-final". Proponho que você crie (imagine) o seu próprio final; Pessoas diferentes se encantam por motivos diferentes e por isso acredito que não devemos impor sempre o nosso ideal de final feliz; acho só assim a frase 'final feliz' ultrapassará qualquer clichê e será de verdade. Mil beijos, e espero que tenham gostado.