
As primeiras letras são desenhadas em caligrafia perfeita no papel branco, mas são tão ligeiras. As formosuras escorregam ardilosas pelas mãos cansadas, as que as criam. Derramando-se no chão, elas escapam satisfeitas pela porta entreaberta de madeira escura. O poeta, no entanto, deixa-se enfeitar o rosto de surpresa; Boquiaberto, o queixo caído denuncia sua angústia. As mãos, sempre vorazes, jazem trêmulas de agonia — lamentam o abandono. A lágrima pende em seu rosto envelhecido e desliza até a página, marcando-a. A marca úmida cintila solitária, já que o negro da escrita faz-se escasso. As palavras fugiram, pularam as janelas, adentram-se na lareira, não sussurram um adeus; Desprezaram o poeta e furtaram-lhe a vida, a alma. Agora, o silêncio da não-escrita soa tímido o seu pesar.
Perdoem-me, não é plenamente o que eu queria; Mas por vezes parece mesmo que as palavras esquivam-se do meu abraço, no entanto, espero que essas singelas palavras o tenham agradado. Ontem, entre as ideias que tive, duas tomaram forma e envolveram-me por inteira. A primeira é simples: Eu adoro versinhos e acho que esses combinam magicamente com o dia de domingo; Adoraria que vocês escrevessem versinhos aos domingos e me enviassem. Não, não é um projeto e não haverá avaliação ou premiação; No entanto, eu adoraria mais essa troca mútua das palavras que deixaram-se ser escritas. Afinal, eu alimento-me (também) de palavras e rimas; Quem quiser, sinta-se mais que convidado. A segunda, outro dia eu conto. ^^ Grande beijo.
