terça-feira, março 15, 2011

O abandono.

 

  As primeiras letras são desenhadas em caligrafia perfeita no papel branco, mas são tão ligeiras. As formosuras escorregam ardilosas pelas mãos cansadas, as que as criam. Derramando-se no chão, elas escapam satisfeitas pela porta entreaberta de madeira escura. O poeta, no entanto, deixa-se enfeitar o rosto de surpresa; Boquiaberto, o queixo caído denuncia sua angústia. As mãos, sempre vorazes, jazem trêmulas de agonia  lamentam o abandono. A lágrima pende em seu rosto envelhecido e desliza até a página, marcando-a. A marca úmida cintila solitária, já que o negro da escrita faz-se escasso. As palavras fugiram, pularam as janelas, adentram-se na lareira, não sussurram um adeus; Desprezaram o poeta e furtaram-lhe a vida, a alma. Agora, o silêncio da não-escrita soa tímido o seu pesar.


 Perdoem-me, não é plenamente o que eu queria; Mas por vezes parece mesmo que as palavras esquivam-se do meu abraço, no entanto, espero que essas singelas palavras o tenham agradado. Ontem, entre as ideias que tive, duas tomaram forma e envolveram-me por inteira. A primeira é simples: Eu adoro versinhos e acho que esses combinam magicamente com o dia de domingo; Adoraria que vocês escrevessem versinhos aos domingos e me enviassem. Não, não é um projeto e não haverá avaliação ou premiação; No entanto, eu adoraria mais essa troca mútua das palavras que deixaram-se ser escritas. Afinal, eu alimento-me (também) de palavras e rimas; Quem quiser, sinta-se mais que convidado. A segunda, outro dia eu conto. ^^ Grande beijo.                                 

7 comentários:

Jhonatan Thiago disse...

Nossa *-* Ficou perfeito.
Expressa a alma de um poeta, principalmente quando falta-lhe a inspiração.
Eu também adoro versinhos! Adoro acordar de manhã e ler uma frasezinha, um versinho...
Enfim,
Beijos.

C. disse...

Achei perfeito e sucinto o que quis dizer. Nao acho que um texto tenha que ser longo para ter valor. Numa era em que a informação aparece aos montes e o tempo disponível de cada um é limitado, aprecio cada vez mais textos assim.
Grandes insignificâncias para grandes poetas, foram justamente o que eles tiveram de mais doce. Fora que, esses momentos de quietude nao significam em nada para quem sabe muito bem tecer palavras, transbordar em emocoes e fazer transbordar também.

Adoraria mandar versinhos para você, mas como você bem sabe, eu apenas brinco com as palavras, e se venho aqui é para me fazer ver melhor através de outras.

Beijinho no coração.

Jaynne Santos disse...

Ah Carol, me deixou curiosa pela segunda idéia que teves, isso não se faz!!! Rsrs.
Bem, também amo escrever versinhos no domingo, mas ultimamente não estou tendo tempo para essa regalias. Caso eu encontre uma brechinha os postarei aqui sim!
Enquanto a essas simplórias e tão bem escritas palavras, o que posso dizer? Estão sempre tão impecáveis e tão sincronizadas em si mesmas, que nos conquista de primeira.
Não há espaço para o piscar dos olhos, os lábios leem as palavras de uma forma que parece enamoralas. Ah, meus lábios se apaixonaram por suas palavras, mas são tímidos, e não conseguem dizer com exatidão o que realmente queriam.
Mas eu os obrigo a fazer um esbolço do que chega perto do que eles realmente querem dizer.

Querida, suas palavras são sempre encantadoras e trazem consigo um ar de simplicidade, emoção, intensidade e um outro sentimento no qual ainda não achei uma palavra para descrever.

Grande beijo;

Maiara disse...

Sinto que as suas palavras imitaram a fuga das do poeta, mas não fugiram para deixar um adeus penoso, fugiram para os olhos de todos os que as lêem nesse exato momento; fugiram para aqui, bem perto, onde eu posso senti-las em suas mais variadas eclosões de sentimentos.
As suas palavras sempre revigoram a minha admiração, e todas as vezes que venho aqui, os meus olhos parecem famintos por mais e mais dos seus traços. Já lhe disse que beleza é o que vejo, sim, vejo muita beleza, mas há algo ímpar em suas palavras Carol, talvez sem definição exata. Mas se eu fosse assemelhar a alguma coisa do meu conhecimento, eu diria que é um brilho, intenso e límpido, e que brilha com muita vontade. É um brilho que a primeira vista já se faz evidente e radiante, e isso me faz ter a convicção exata que ao fundo de sua origem, ele pulsa e vive de maneira sublime, de maneira inexplicavelmente bela.
Ah, deixei um risinho colado no rosto enquanto lia sobre os versinhos de domingo, para mim será um prazer tentar. ^^

Beijo grande querida.

Gabriele Santos disse...

Ninguém merece esta escapada/fugida das palavras. É um vazio impreenchivel quando isto acontece.
Adorei este texto senti aqui a agonia do poeta.
Como sempre: parabéns.
--
Ah adorei a ideia dos versinhos, mas eu não sei riamr :(:(
mas vou enviar alguma coisa nem que seja para te alegrar rsrss ;*
ah conta a outra sou muito curiosa 8_8

Elania disse...

E depois de ver longos depoimentos, até me senti pequena por não saber nem o que comentar após ler, não é que falte sentimento, é que falta palavras para expressar.
Mas, no entanto, achei divino. *-*
E gostei muito da sua idéia, pena que eu nem sou tão boa versos (:
bj

Yohana SanFer disse...

E vive fazendo poesia memso quando as palavras fogem não é?!rs...vou tentar...aos domingos? Dia ápice da minah priguicite, mas por uma ideia singela assim, eu topo! A segunda ideia ficou pra depois né? Charme de poeta!rs...bjs moça!