terça-feira, março 15, 2011

Sem fel.


É dor latente e persistente, a que em mim se abrigou;
Resplandece o seu fulgor no peito de quem a abandonou.
Desfila presunçosa o seu peso - o imensurável.
Destila gota a gota do veneno - o indesejável.

O arquejar faz doer os pulmões e castiga o ar;
Induz-me a expirar, inspirar e a ti o singelo perdão doar.
Perdoar-te e perdoar-me irei, então, mas não em vão.

O achoalho frígido e liso me sorri silencioso,
Os joelhos latejam ansiosos em resposta
E o beijo compõe-se intenso entre a pele e o piso.
O cálido experimenta o frio, aos risos;
Assim como eu opto por derreter todo o meu gelo.

Os punhos despedem-se do bolso
E a luz se expõe por entre os dedos.
As impressões digitais disputam espaço com a flor;
Visto-me, pois, de amor e rasgo o véu do rancor.

Os pés enfeitam a terra, mas o pensamento é do céu;
Limpo os meus lábios e ao longe lanço o fel.
A maciez da bela rosa repousa, enfim, sobre as suas mãos,
Enquanto, um suspiro leve inflama o meu coração;
A voz tão angelical quanto o pedido sussurra por fim:
Perdão concedido? Sempre e sim. 

Projeto blq,30ª Edição poemas.

20 comentários:

Maiara disse...

O seu poema cantou para mim durante a leitura. Senti seus versos como uma agradável música entoada em meus ouvidos. E ao mesmo tempo, em que sentia essa melodia pulsante, observei a dança harmoniosa das palavras que se encaixavam em perfeita sincronia. Ah Carol, foi uma apresentação e tanto. E eu ainda estou aqui, a aplaudir na platéia, assistindo o perdão ocupar os lugares vazios.

Beijo grande querida.

Ill Circus disse...

Como disse a mocinha: seu poema canta! E é difícil encontrar um assim. Muito, muito lindo :)

Débora Ramos. disse...

Caroooool, minha flor.. Eu, particularmente, não gosto muito de poemas. Não sei, acho que andei lendo os escritores errados, porque foi tão bonito o que acabei de ler. Pensa numa pessoa boba dos lados de cá. Pois bem, sou eu. Esse ultimo trecho em especial.. Ai, linda você!

Yohana SanFer disse...

Ahh Caroline, não há uma só vez que eu venha aqui que não me delicie com suas palavras, que poema lindo! E este desfecho, sensacional! O amargo dando lugar ao sublime! Lindo demais "vizinha"!rs
bjsss

Débora Ramos. disse...

Ah, Carol.. Acabei de te Taggear aqui (http://nuvemgris.blogspot.com/p/presentes.html)
Não sei se já recebeu, mas espero que goste!

Dani Ferreira disse...

Acho lindo quem escreve poemas. Acredito que não seja tão fácil, e a forma como você escreve fica tão leve, seu vocabulário é tão extenso ...
Acho perdão um gesto muito sublime. Adorei Cah. Bgs :*

C. disse...

Me parece uma pessoa querendo de vez se libertar no perdão, com a leveza dos sentimentos, mas com a dor latente no aguardo do perdão tao desejado.
Belo Carol!

Jéssica F. disse...

Como muitos já disseram, esse seu poema canta! Nao tenho palavras para descrever, tudo o que posso dizer é " Harmoniosamente perfeito ". Sem dúvidas o primeiro lugar já é seu! beijos :*

Clara disse...

Penso que não vai demorar eu abrir um livro e estar lá um poema seu... Acho que encaixar palavras assim é um verdadeiro dom de Deus, parece até que vc fala outra língua, mais emocional. Adoro!

Um abraço, querida amiga!

Laryssa disse...

Carol!
Seu poema ficou lindo, muito bem escrito, ele se combina e mesmo estando subjetivo nós identificamos o seu objetivo pois quando uma escritor é bom com as palavras eles às manuseiam de qualquer forma, e transformam-se em uma linda arte!

Beijos, Laryssa Lima.

Maiara disse...

Ah minha querida, eu a entendo muito bem, e a agradeço de coração por tamanho carinho e atenção que você sempre concede ao meu espaço. Só me resta tentar lhe conceder os mesmos, já que para mim, a sua escrita já se faz indispensável.

Um beijo.

• Cynthia Brito • disse...

Carol, menina, que poema bonito! Estava mesmo com saudades de sentir o aroma delicioso dessas tuas palavras adocicadas. Essa tua essência sempre insiste em se fazer presente e nunca vacilar na expectativa de se superar em cada tema que tratas com tanto carinho - sim, inclusive isto é perceptível em suas cintilantes palavras. Muito bom o que escreves.

Beijos e bom fim de semana!

Com amor,
|Cynthia|

• Cynthia Brito • disse...

Cáh, indiquei à você um selinho que recebi. Espero que goste. Encontra-se na página de selinhos em meu blog :D

Beijinhos :*

Com amor,
|Cynthia|

• Cynthia Brito • disse...

Ah, Carol, na verdade, gostaria que levasse o selo 70 também.

Beijos *

Alexandre Fernandes disse...

É um modo de libertar, esvaziando-se na dor, na latente sensação da aflição. É um entregar-se reconhecendo as dificuldades da comunhão com os sentimentos. Como ilusão perpetuando o ar. Raiar de sol no horizonte da alma. Apenas um pequeno perdão, para nos mostrar a grandeza que nos é permitido.

Lindo e maravilhoso texto meu anjo!


Beijos! Gosto muito do teu carinho! Obrigado!

Minne disse...

Carol, não sei porque ainda fico surpresa quando passo por aqui, tu és intensa do início ao fim e transmite isso nos teus textos. Esse poema foi de uma intensidade imensurável e o final foi doce, como disseram ai em cima, teu poema canta !

fernandaferrari disse...

escrever docemente e intensamente é para poucos, parabéns

Eduarda Kohls disse...

Que lindo poema Caroline, de verdade! Meus parabéns hihi *O*

Gostei daqui, *-*

Beijos

Felipe Faverani disse...

Oi, Ca, tudo bem?
Que composição linda! Como é evidente a sua evolução diante dos olhos dos seus leitores.
Parabéns! Tenho absoluta certeza de que será uma brilhante poeta!
Beijo.

Pedro Menuchelli disse...

Carol!
Fico feliz por estar aqui novamente e poder ler um poema como o seu. Queria ter a mesma facilidade em expressar o que sinto através dos versos, porque acho que é uma escrita muito maravilhosa. Fico super feliz por você continuar acompanhando meu blog e me ajudando, mesmo que distante. Creio eu que encontrar pessoas como você é dificil nesse mundo e por isso te agradeço por ser quem é. Um grande beijo e uma ótima semana,

Pedro